No momento de preencher a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, uma das principais dúvidas dos contribuintes é qual modelo de tributação escolher: desconto simplificado ou deduções legais. A decisão influencia diretamente a base de cálculo do imposto e, consequentemente, o valor a pagar ou a restituir.
Embora o programa da Receita Federal indique automaticamente a opção mais vantajosa antes da transmissão da declaração, compreender as diferenças entre os dois modelos é importante para conferir o resultado e evitar escolhas equivocadas. A própria Receita informa que o desconto simplificado substitui todas as deduções legais por um abatimento padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis, respeitado o limite anual previsto em lei.
O que é o desconto simplificado?
O desconto simplificado é uma forma alternativa de apuração do Imposto de Renda destinada às pessoas físicas.
Em vez de informar despesas dedutíveis, como gastos médicos, educação, previdência privada ou dependentes, o contribuinte recebe automaticamente um abatimento correspondente a 20% dos rendimentos tributáveis, limitado a R$ 16.754,34 na declaração do IR.
Esse desconto substitui integralmente todas as deduções permitidas pela legislação.
Quem pode optar?
Qualquer contribuinte obrigado ou que deseje entregar a Declaração de Ajuste Anual pode escolher o desconto simplificado.
A opção independe do valor dos rendimentos recebidos, da quantidade de fontes pagadoras ou da existência de despesas dedutíveis. A escolha é feita durante o preenchimento da declaração.
Qual a diferença entre desconto simplificado e deduções legais?
A principal diferença está na forma como a base de cálculo do imposto é reduzida.
Quais despesas podem ser deduzidas no modelo completo?
Quem opta pelas deduções legais pode reduzir a base de cálculo utilizando despesas autorizadas pela legislação, entre elas:
Quando cada modelo costuma ser mais vantajoso?
Em linhas gerais:
O desconto simplificado costuma ser indicado quando:
As deduções legais tendem a ser mais vantajosas quando:
A Receita Federal destaca que, após o preenchimento da declaração, o próprio programa compara automaticamente os dois modelos e apresenta aquele que resulta em menor imposto ou maior restituição.
Como calcular o desconto simplificado?
O cálculo é relativamente simples.
Primeiro, soma-se o total dos rendimentos tributáveis do ano, como salários, pró-labore, aposentadorias, aluguéis e outras receitas sujeitas ao IR.
Em seguida, aplica-se o percentual de 20% sobre esse valor.
Exemplo 1
Exemplo 2
Posso alterar a opção depois de enviar a declaração?
Sim.
Enquanto o prazo de entrega da declaração estiver aberto, o contribuinte pode transmitir uma declaração retificadora e alterar a forma de tributação escolhida.
Após o encerramento do prazo de entrega, a legislação não permite mudar a opção entre desconto simplificado e deduções legais.
O desconto simplificado mensal mudou em 2026?
Sim.
Além do desconto simplificado utilizado na declaração anual, existe o desconto simplificado mensal, aplicado na retenção do Imposto de Renda na fonte.
Com as alterações promovidas pela Lei nº 15.270/2025, o valor passou a corresponder a R$ 607,20 por mês, contribuindo para a nova política de redução do IR para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil mensais.
Vale a pena escolher o desconto simplificado?
Não existe uma resposta única.
Quem possui poucas despesas dedutíveis normalmente encontra no desconto simplificado uma alternativa prática e financeiramente vantajosa.
Já contribuintes com gastos expressivos em saúde, educação, previdência privada e dependentes costumam obter maior economia ao optar pelas deduções legais.
Por isso, a recomendação é preencher toda a declaração, conferir a comparação realizada automaticamente pelo programa da Receita Federal e somente então definir a modalidade de tributação que resulte em menor imposto ou maior restituição.
Fonte: Contábeis